EUA – Califórnia, Arizona, Utah e Nevada

Já fazia algum tempo que gostaria de experimentar fazer uma viagem de motorhome. Inicialmente, tínhamos feito um plano para realizar uma viagem de motorhome na Europa, porém, minha esposa não estava muito animada com a Europa desta vez e então decidimos ir para os Estados Unidos.

Havia alguns lugares icônicos que estavam na lista há muito tempo, como por exemplo o Grand Canyon, o Sequoia National Park e o Yosemite National Park.

Assim comecei a pesquisar sobre empresas de aluguel de motorhomes, ler blogs de outros viajantes além de já ir estruturando um roteiro.

Foram cerca de 6 meses de preparação e planejamento até que no dia 5 de setembro de 2025 decolássemos em Porto Alegre pela Copa Airlines rumo a Los Angeles.

Elaborei um roteiro bem estruturado para 21 dias, em que incluí também alguns lugares que foram sugeridos pela empresa de aluguel de motorhomes.

Fiz a reserva do motorhome através da empresa Motorhome Trips de Curitiba, pois acabou sendo mais barato reservar através deles do que direto com as locadoras nos EUA.

 

Chegamos em Los Angeles no dia 05 de setembro às 16:30, uma quinta-feira, e depois dos trâmites da imigração, fomos até a locadora SIXT pegar o carro. Carro? Mas não seria Motorhome? Deixa-me explicar, é que a Cruize América, empresa de locação de motorhome, só faz entregas até às 15:00 e nós chegamos em Los Angeles após este horário, além do mais, a empresa não aconselha pegar o motorhome depois de uma viagem longa dessas devido ao efeito jetlag em função do fuso horário.

Aluguei um carro por várias razões, aluguel de carro é muito barato nos EUA, por cerca de 60 dólares a diária se consegue um bom SUV, e se fosse pegar um táxi ou Uber para ir do aeroporto até o hotel, já iria custar mais que isso de arrancada.

Além do mais, a gente precisaria do carro também para se locomover em Los Angeles pelos próximos 2 dias, pois teríamos muitos lugares para visitar nesta cidade, que é bem grande, e tudo é muito longe.

Bom, nessa primeira noite ficamos no Hotel Indigo Blue que fica localizado bem no centro. Na sexta-feira de manhã, após o breakfast, fomos dar uma caminhada na região ali pelo centro, mas como já é sabido, Estados Unidos não é feito para se andar a pé, tudo é longe e as quadras são imensas. Depois de bater pernas um tempo, retornamos ao hotel para fechar a conta e saímos de carro até um shopping tipo outlet onde fizemos algumas compras numa loja da Apple e depois nos deslocamos até a Cruize América pegar o motorhome.

Com o motorhome em mãos, eu fui dirigindo-o e a Francini e a Iara com o carro foram me seguindo até o camping Dockweiler RV Park bem na beira da praia chamada Playa del Rey.

Fui pilotando com cautela, afinal é um veículo grande, maior que eu imaginava, 7,6 metros de comprimento construído em cima do chassi de um caminhão E350, acho que é equivalente às nossas F350 ou F4000 do Brasil. A diferença é que eles não utilizam motor a diesel, é tudo motor V8 a gasolina.

Depois de rodar uns 25 km, já chegamos ao nosso camping que já estava previamente reservado. Um luxo de camping, ruas todas asfaltadas, com toda a infraestrutura necessária.

A gente estaciona o motorhome no espaço destinado e conecta a tomada de energia elétrica, a mangueira de água potável e a mangueira especial para descarga das águas sujas e do banheiro. Observei que tudo aqui nos EUA é padronizado e funciona muito bem; todos os campings possuem o mesmo conceito de estrutura; você só chega e conecta.

O uso de motorhomes e trailers faz parte da cultura norte-americana; existem milhares de campings assim espalhados pelo país e milhares de pessoas que utilizam esse tipo de lazer para passar férias e fazer viagens por longos períodos pelo país.

Fiquei impressionado com o tamanho dos motorhomes e trailers que eles possuem, alguns em chassis de ônibus trucados e outros com trailers de 8 ou 9 metros de comprimento, com rodados em tandem, puxados por imensas camionetes RAM com motor V8.

Então, deixamos o motorhome estacionado e fomos ao supermercado Walmart fazer as compras necessárias, afinal, esta vai ser nossa casa móvel pelos próximos 21 dias.

Ao final do blog irei fazer uma análise comparativa sobre as vantagens e desvantagens de se viajar de motorhome e se realmente compensa financeiramente.

https://youtube.com/shorts/BGDbsq-ERdo

 

Sobre Los Ángeles.

É uma cidade muito grande e bem espalhada, tudo é bastante longe. Cheguei a pensar em usar a bicicleta para fazer alguns passeios, mas quando vi a distância que é entre uma atração e outra, desisti da ideia, e por incrível que pareça nos EUA é mais barato alugar um carro do que alugar uma bicicleta, coisas de cultura norte-americana.

Aproveitamos esses dois dias que tínhamos programado em Los Angeles para conhecer alguns pontos turísticos mais importantes, como a calçada da fama,

uma passadinha pela famosa Beverly Hills, o parque do letreiro de Hollywood e o observatório Griffith. Este acabamos deixando por último, pois a ideia era ver o pôr do sol deste lugar.

Visitamos também os estúdios da Warner Bros. Esta foi uma experiência sensacional. Podemos dizer que superou as expectativas. A visita foi guiada por um instrutor da Warner que nos levou com um daqueles carrinhos elétricos pela cidade cinematográfica explicando em detalhes como ocorrem os preparativos e gravações dos filmes.

Nesta ocasião, tivemos a oportunidade de conhecer o set de gravação do seriado Friends, com todos os detalhes ainda posicionados, já que a série acabou e não há mais gravações, mas eles deixaram tudo montado para ficar como atração turística. Já aproveitamos para fazer uma foto no famoso sofá dos Friends e ficamos algum tempo por ali tomando um café e aproveitando aquele ambiente acolhedor.

Havia também um cenário com fundo em chroma-key onde estava a moto do Batman que foi usada no filme…, e o cenário do Harry Potter onde foi gravada aquela clássica cena voando com a vassoura.

Realizamos uma gravação ali também, a Iara e a Fran voando com a vassoura e eu fiz a cena pilotando a moto.

 

Domingo 07 de Setembro de 2025

Hoje começa a viagem de motorhome, eu já havia devolvido o carro ontem à noite.

Levantamo-nos bem tranquilos de manhã, preparamos e tomamos nosso café com tudo que tem direito como se estivéssemos em casa no Brasil e pelas 8:30 partimos. No caminho de saída de Los Angeles paramos num posto para encher o tanque, e que tanque gigante, o automático da bomba nunca desligava, em US$160 eu parei, já passava de 35 galões, o que equivale a 126 litros considerando que no marcador do painel indicava que ainda havia cerca de ¼ de tanque antes de abastecer.

Depois de rodar umas duas horas, chegamos em Barstow, nossa primeira parada no deserto de Mojave. Eu já havia mapeado no Google Maps os principais pontos a serem visitados em Barstow como esses aqui abaixo, então foi só seguir a orientação do GPS e tudo certo.

Primeira parada foi no Mojave River Valley Museum onde estacionamos o motorhome embaixo da sombra de uma árvore e, como já era meio-dia, aproveitamos para comer nosso lanche e fazer um café, afinal, estamos na nossa casa rodante.

No museu fomos recebidos por duas senhoras muito simpáticas e conversaram conosco e no fim uma delas se prontificou a tirar uma foto para nós na frente do museu.

Link Mapa:https://maps.app.goo.gl/SPdHH4D1waspWW6Z9

 

O que vimos em Barstow

1- Mojave River Valley Museum

2- Western America Railroad Museum

3- Route 66 Mother Road Museum

4- Barstow Station

5- Calico Ghost Town (Cidade Fantasma de Calico)

 

KM e tempo de viagem: 239 km, 2,5 horas.

 

Depois da visita à Cidade Fantasma de Calico, seguimos viagem pela Rota 40 em direção a Mojave. Na maior parte do caminho a paisagem é desértica e faz muito calor, chegamos no camping em Mojave à tardinha por volta das 18 horas e fazia muito calor, até o vento era quente. Não havíamos feito reserva e não havia ninguém na recepção por ser domingo.

Seguindo orientações de um painel que havia no vidro, realizamos a reserva e o pagamento pelo site e em seguida conectamos o Motorhome na estação escolhida.

Novamente, fiquei admirado com a facilidade com que as coisas acontecem, sem falar com ninguém, chegamos num dia no camping e saímos no outro dia e mais uma vez um lugar completo inclusive com piscina, banheiros e chuveiros impecavelmente limpos e bonitos.

 

Segunda-feira 08 de Setembro de 2025

 

Hoje o objetivo é chegar ao Grand Canyon, mas antes vamos dar uma passada por Sedona que acabou entrando no roteiro assim de última hora por sugestão de um vídeo que eu havia assistido.

Sedona é uma cidade lindíssima que fica ao sul do Grand Canyon e é cercada por montanhas esculpidas pela natureza ao longo de milhões de anos.

É o tipo de lugar que merece a permanência de uns dois dias para explorar todas as suas belezas, mas a gente teve somente algumas poucas horas, pois nosso destino do dia é mesmo o Grand Canyon.

Abaixo link do mapa até Sedona e depois de Sedona até o Grand Canyon.

https://maps.app.goo.gl/NvdDTX8tDeZajni58

 

https://maps.app.goo.gl/CH6wBBFqTzUbeupC8

 

No caminho entre Sedona e Grand Canyon, fizemos uma breve parada em Flagstaff num Walmart onde realizamos mais algumas compras para passar os próximos dias.

Chegamos no camping do Grand Canyon bem à tardinha por volta das 18:00 e o check-in foi bem rápido, haja vista que eu já havia feito a reserva antecipadamente pela internet.

Ainda deu para dar uma caminhada até o pequeno vilarejo ali bem próximo ao camping.

 

Terça-feira 09 de Setembro de 2025

 

Hoje é dia de conhecer o Grand Canyon, pegamos um ônibus que passa por dentro do camping e fomos até o Visitor Center. Pegamos algumas explicações com um guarda que estava ali prestando auxílio e seguimos nossa caminhada.

Ao chegar na primeira borda, a primeira impressão é de espanto e admiração. Realmente é de se ficar impressionado com o gigantismo daquilo tudo formado ao longo de milhões de anos e lá no fundo o rio Colorado.

Num primeiro momento caminhamos cerca de 4 quilômetros ao longo da borda com muitas paradas para fotos e uma visita a um museu que conta um pouco da história dessa formação geológica. Aproveitei para comprar um livro que foi escrito em conjunto por um grupo de geólogos, arqueólogos e biólogos ricamente ilustrado com fotos coloridas e gráficos.

Depois dessa caminhada, chegamos num ponto onde pudemos pegar um ônibus circular que faz o percurso mais longo com várias paradas ao longo da borda. Esse trecho de ônibus dá mais uns 15 quilômetros e tem um ônibus a cada 15 minutos, desta forma, dá para desembarcar, observar o lugar e embarcar no próximo ônibus e seguir até o próximo ponto, tudo muito organizado e pontual.

Bom, chegamos ao fim do dia exaustos, foi um dia bem puxado, mas valeu a pena, uma experiência inesquecível.

 

Quarta-feira 09 de Setembro de 2025

Neste dia o nosso destino é Page, uma cidade que fica praticamente na divisa do estado do Arizona com Utah.

Em Pagé já temos ingressos comprados e hora para chegar no Antilope Canyon. Este local é muito concorrido e os ingressos para o horário nobre de visitação devem ser comprados com bastante antecedência, o que eu fiz. O horário nobre é entre 11:30 e 13:00 mais ou menos, que é o momento em que o sol incide mais diretamente sobre as fendas e produz um efeito visual extraordinário.

Inclusive o valor dos ingressos para este horário também é mais caro por conta disso, muiiito mais caro.

Chegamos no local às 11:00, ou seja, meia hora antes, ainda deu para almoçar no nosso motorhome, sendo que para isso tive que ligar o gerador de energia para poder ligar o ar condicionado já que a temperatura externa estava bem alta, o que se refletia dentro do motorhome.

As 11:40 já embarcados nas camionetes 4×4 seguimos rumo ao Antilope Canyon, foi um percurso de cerca de meia hora numa trilha no meio das areias do deserto até o local. Uma fila imensa de camionetes e vans já estava lá, mas tudo é muito organizado, em sequência ordenada os grupos vão adentrando no Canyon e a guia que é uma descendente da tribo dos Navajos vai nos dando todas as explicações e também orientando-nos nas fotos para que fiquem no ângulo mais fotogênico possível.

Depois de cerca de uma hora de caminhada bem lenta e muitas fotografias saímos do outro lado e retornamos pelo lado de fora até a camionete que nos conduziu de volta ao ponto de partida.

Ainda havia outros pontos de interesse a serem visitados na região que poderiam ser utilizados com o mesmo ingresso, mas nós decidimos seguir para o outro lugar que já estava planejado, o “Horseshoe bend”, ou seja, Curva da Ferradura, um local icônico onde o rio Colorado faz uma volta.

Chegamos lá, nós e mais uma centena de turistas. Uma coisa que chama a atenção hoje em dia é que a maioria das pessoas chega em um ponto turístico lindo e nem para admirar e analisar o cenário com os olhos, já vão direto só fazendo fotos, selfies e mais selfies e daí vão embora sem de fato curtir a beleza daquele cenário.

 

Depois de ficar algum tempo por ali, seguimos para a cidade de Page de fato e ali vou precisar abastecer o tanque de combustível e também gás propano, pois a geladeira já estava com a luz vermelha acesa indicando falta do referido gás.

Nos EUA, pelo menos nos motorhomes, as geladeiras e freezers funcionam com base no gás propano, o mesmo gás utilizado para o fogão a gás.

Inicialmente nossa ideia era ficar num camping para motorhomes em Page, mas ainda estava cedo e não tinha mais nada para fazer em Page, daí decidimos antecipar nossa viagem até o Zion National Park que ficava a cerca de 2,5 horas de onde estávamos.

Seguimos pela Rota 89 por cerca de 146 km e na rótula Mount Carmel Junction, pegamos a Rota 9 que já é a rodovia que entra pelo portal Oeste do Parque Nacional Zion. Quando começamos a nos aproximar do parque nacional, já ficamos impressionados com a beleza das formações rochosas, a Iara ficou encantada com a beleza e os cenários, fez várias filmagens com o celular.

Chegamos ao Zion Canyon Campground and RV Resort que fica bem no centro do vilarejo a menos de 900 metros da entrada e do centro de visitantes.

Tudo bem, se paga um preço por isso, US$130,00 para a primeira noite e US$118 a diária para as duas noites seguintes. O camping estava quase lotado, por sorte conseguimos lugar para ficar 3 noites.

Quinta-feira 10 de Setembro de 2025

Que bom, estamos antecipados em nosso cronograma. Acordamos bem tranquilos de manhã ao som de um riacho que passava bem defronte ao nosso motorhome. Preparamos e tomamos nosso café da manhã naquele lugar paradisíaco e uma paz profunda reinava no ambiente.

Mas a Iara precisava tirar algumas horas para trabalhar um pouco, emitir algumas notas fiscais e resolver algumas outras questões, a Francini também aproveitou o bom sinal de wi-fi para fazer algumas reuniões e eu fui sozinho turistar.

Bem na frente do nosso camping já havia uma parada de ônibus que circula gratuitamente pela cidade e passa em frente ao centro de visitantes do parque nacional Zion.

No centro de visitantes comprei meu ingresso e já fui com o ônibus circular fazer um circuito pelo parque. Impressionante como tudo é muito organizado, um ônibus circula por todo o parque gratuitamente e para os pontos de interesse onde há as trilhas a percorrer.

O Zion National Park é realmente surpreendente, com montanhas de tirar o fôlego e vales verdejantes com riachos refrescantes de águas cristalinas.

Uma das trilhas que fiz subi ao topo de uma das montanhas onde se tem um visual deslumbrante de toda a região. Inclusive há uma montanha bem estreita que o pessoal sobre até a ponta mais fina se segurando em correntes e cabos de aço, alguns pontos com apenas meio metro em cada lado a cerca de 600 metros do chão, um verdadeiro paredão reto que só de olhar já dava um frio nas pernas e na barriga. Não tive coragem de ir até aquela parte.

 

Sexta-feira 11 de Setembro de 2025

Aproveitamos durante a manhã até o meio-dia para fazer mais algumas trilhas no meio das montanhas, basicamente eu e a Fran, a Iara ficou novamente no motorhome para resolver mais algumas questões do escritório.

Pouco depois do meio-dia eu e a Fran retornamos das nossas trilhas e a Iara já estava até com nosso almoço pronto. Almoçamos, organizamos as coisas e eu desconectei a energia e as mangueiras conectadas ao sistema do camping e seguimos viagem rumo a Las Vegas.

Em menos de 3 horas percorremos os 276 km que nos separavam de Las Vegas e fomos direto ao Las Vegas RV Resort, que era o camping em que iríamos ficar.

Mas uma vez um lugar surpreendente, organização impecável, após passar pelo check-in na recepção, um guia com um desses veículos de campo de golfe nos conduziu até o local destinado a nós.

Fazia muito calor e aproveitamos para usar a lavanderia para lavar algumas roupas e a Francini aproveitou para usar a piscina também.

À noite fomos até o centro de Las Vegas conhecer os cassinos e principais atrações da cidade. Tudo é muito lindo, luzes coloridas, chafarizes, réplica da Torre Eiffel e hotéis-casino 4 e 5 estrelas, todos repletos de pessoas jogando e fazendo suas apostas. Não sei exatamente qual o objetivo destas pessoas, se é por pura satisfação de jogar, se é realmente para ganhar dinheiro ou apenas por pura diversão. Para as pessoas que são viciadas em jogatina, aquilo ali é uma perdição, eu imagino.

A parte de que nós mais gostamos mesmo foi o show das águas dançantes que acontece diante de um dos hotéis.

Sábado 12 de Setembro de 2025

Hoje temos um longo dia pela frente, uma viagem de 600 km até o Parque Nacional das Sequoias. Iremos percorrer isso ao longo de todo o dia inclusive passando novamente por Barstow, cidadezinha histórica porque já havíamos passado na ida quando estávamos indo de Los Angeles até o Grand Canyon. Para fazer esse percurso havia duas opções o caminho pelo vale da morte, mais longo e mais demorado e o caminho mais curto esse por Barstow, optei por este, já que nosso objetivo principal agora é o Parque das Sequoias.

Chegamos num vilarejo um pouco antes do Parque Nacional das Sequoias e ali ficamos num camping para motorhomes, o preço era bem salgado, mas não havia outras opções, outros campings mais próximos já estavam lotados conforme indicava pesquisa prévia que havíamos feito pela internet.

 

Domingo 13 de Setembro de 2025

Após levantar e tomar nosso café da manhã, fomos de motorhome até o centro de visitantes do parque das sequoias, na entrada do parque eles cobram uma taxa de 35 dólares para o veículo, as pessoas não pagam e o ticket vale por uma semana.

Ali recebi a informação de que veículos com mais de 25 pés não poderiam entrar por esta entrada, pois logo mais adiante teria uma sequência de curvas e veículos longos poderiam ter dificuldades. Na hora fiquei na dúvida se prosseguia ou não, no fim acabei retornando e entrando pela outra entrada que foi sugerida, mas para isso tive que fazer uma volta enorme, andei mais de 40 quilômetros até a outra entrada.

Não me conformei muito com essa situação, já que iríamos entrar no parque dois dias. À noite falei com a dona do camping e perguntei se essa recomendação é realmente válida ou se é exagero de zelo por parte da administração do parque.

A senhora disse que dá pra passar sim, só tem que ter um pouco mais de cuidado porque realmente há algumas curvas tipo cotovelo bem fechadas, portanto, com cuidado é possível passar com nosso motorhome. Então, no dia seguinte fiz isso, fui por essa entrada que era bem mais próxima de onde estávamos.

Bom, falando do Parque das Sequóias, o lugar é impressionante, uma verdadeira floresta de gigantes. É um lugar único no planeta Terra, quase não dá para entender como estas árvores que são da família das coníferas, um tipo de pinheiro, com algumas semelhanças com nossas araucárias, cresceram tanto e vivem tanto tempo.

Mas tem explicação: naquela região onde elas vivem, há um microclima e bioma bem específico, o que favorece o seu crescimento e longa vida. Elas podem chegar a uma altura de até 115 metros e diâmetros que variam de 3 a 6 metros.

Gastamos dois dias caminhando no meio delas, fazendo trilhas e também andando com o motorhome nas estradas que existem dentro do parque. Inclusive fomos até um outro lado bem distante onde há um Canion, porém a visibilidade não estava boa por causa da fumaça das queimadas na região. As queimadas até eram bem longe dali, mas as correntes de vento levam a fumaça por centenas de quilômetros.

Terça-feira 15 de Setembro de 2025

Hoje é dia de deslocamento novamente, agora o destino é o Yosemite National Park que fica a cerca de 280 quilômetros de onde estamos. A ideia é percorrer essa distância em cerca de 4 horas.

Saímos por volta das 9:00 da manhã de nosso camping onde estávamos e chegamos na portaria de entrada do parque nacional por volta de 12:30 onde fomos recepcionados por um guarda sorridente e simpático, aliás isto é rotineiro nos Estados Unidos, em todos os lugares onde chegamos, recepção dos parques nacionais, recepção dos campings e outros lugares onde visitamos o pessoal sempre é muito cordial e simpático isto foi uma das surpresas positivas da viagem.

Outra coisa interessante, você paga U$35,00 para entrar com o veículo, ganha uma credencial e você pode usar essa credencial durante uma semana, se você quiser voltar lá e entrar todos os duas durante uma semana isso é possível, além do mais dentro dos parques tem toda uma infraestrutura de apoio ao visitante que nunca vi em nenhum lugar do mundo.

Realizamos nossa primeira parada no primeiro mirante que tem logo depois de um túnel, já era 13:00 e aproveitamos essa paradinha ali para comermos um lanche que já foi nosso almoço.

A visão da paisagem não está muito bonita, pois o ambiente está repleto de fumaça resultante das queimadas que estão ocorrendo na Califórnia novamente, segundo o que falaram, as queimadas estão a mais de cem quilômetros de distância sentido sul, mas as correntes de vento trazem a fumaça para esta região.

Esperamos que nos próximos dias a fumaça se discipe.

Seguimos andando até o centro de visitantes e ali pegamos algumas informações e um folheto com um mapa da região. No mapa também está o trajeto percorrido pelo ônibus circular que leva as pessoas num circuito onde podemos desembarcar, fazer as trilhas pertinentes, voltar e pegar novamente o ônibus para ir até o próximo ponto.

Andamos um pouco por ali, procurando nos integrar com o ambiente deste vale que é muito lindo, todo circulado por montanhas do mais puro granito.

Bom, já começava a se aproximar das 16:00 e começamos a procurar por um lugar onde poderíamos estacionar nosso motorhome para o pernoite. Eu já sabia que seria difícil encontrar um lugar assim em cima da hora, todos os blogs que eu havia lido diziam que para quem quiser ficar em camping dentro do parque deve reservar com meses de antecedência, pois é muito concorrido.

De qualquer forma seguimos a caça de um camping, enquanto eu dirigia a Fran pesquisava na internet as possibilidades existentes. Por fim, depois de andar bastante, encontramos um camping dentro do parque a cerca de 10 quilômetros do centro de visitantes. Já era bem de tardezinha, quase 18:00. Ao chegar na portaria, o guarda disse que tinha vagas, mas que a reserva deveria ser feita pela internet no site deles. Porém, não havia sinal de internet ali, tivemos que retornar uns 2 quilômetros até encontrar o sinal de internet, assim como míseros 2 tracinhos de sinal conseguimos fazer a reserva, realizar o pagamento com cartão de crédito e receber o comprovante por e-mail. Ufa, deu certo, assim voltamos novamente até a recepção do camping, mas daí já tinham passado alguns minutos depois das 18:00 e já não havia mais ninguém na portaria. Por sorte a cancela estava aberta e havia uma prancheta pendurada com uma caneta para a gente mesmo anotar nossos dados de check-in. Assim nos dirigimos até o nosso box e estacionamos o motorhome. Acabamos ficando nesse camping por três noites.

O único problema e que nesse camping não havia energia elétrica, nem conexão de água potável nem conexão para água de descarga, mas tudo bem, o Americano é muito organizado em tudo e na região do centro de visitantes havia um local onde os motorhomes encostavam para abastecer seus tanques com água potável e também para realizar a descarga das águas sujas dos depósitos.

Bom, ficamos por aqui dois dias e meio, ou seja, 3 noites no camping dentro do Parque Nacional Yosemite. Uma experiência sensacional em que tivemos a oportunidade de realizar várias trilhas, ver o parque sob diversos ângulos e observar e tirar fotos de um céu estrelado lindíssimo.

Na primeira noite estávamos eu e a Fran numa clareira fotografando as estrelas, a Fran conseguiu fazer uma foto perfeita do céu e bem naquele momento passava uma senhora americana e mostramos a foto pra ela. Resultado, a mulher ficou encantada com a foto e ficamos mais de meia hora lá conversando com ela, depois ela foi embora e voltou com o celular dela e pediu pra Fran ensinar ela a fazer aquela foto no celular, e por sorte ela conseguiu, e ficou ótimo, ela saiu muito feliz agradecendo e disse que iria mandar para os filhos dela.

Sexta-feira 19 de Setembro de 2025

 

Levantamos cedinho, organizamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos, agora rumo a San Francisco.

Inicialmente eu tinha planejado fazer essa rota aqui https://maps.app.goo.gl/aSYMN2UDAmyuxpQT9

Passando por Sousalito e depois passar por cima da Golden Gate, esse caminho foi sugerido pela Motorhome trips, empresa que intermediou o aluguel do motorhome, mas acabei mudando de ideia e achei melhor ir mais direto para San Francisco até o endereço do hotel que havíamos reservado e então o caminho ficou assim: https://maps.app.goo.gl/D3FZ7J5XNdoAFS96A

Chegamos lá na metade da tarde com tranquilidade, onde fizemos o check-in e deixamos o motorhome estacionado no pátio do hotel. Em San Francisco os campings são muito caros, por isso optamos por ficar no hotel que era mais em conta e tínhamos um quarto enorme à disposição com bastante conforto.

O motorhome era usado somente para fazermos nosso café da manhã e prepararmos nossas refeições, o que também foi uma experiência muito boa.

Também aproveitamos e fomos numa lavanderia ali próxima para lavar nossas roupas que já estavam acumuladas há vários dias, depois uma breve caminhada no parque Golden Gate já que nosso hotel ficava bem ao lado do parque na extremidade e à beira-mar.

À noite aproveitei e mandei uma mensagem para o Sérgio Zimmermann, um conhecido meu do grupo de motos que reside em San Francisco e já fez várias viagens de moto mundo a fora. Prontamente ele nos convidou pra uma janta na casa dele para domingo à noite, o que eu aceitei. Foi uma grata surpresa conhecer o Sérgio pessoalmente, um senhor distinto com uma bela carreira profissional construída nos EUA trabalhando no Instituto Berkeley da Universidade da Califórnia. Faz apenas 1 ano que ele se aposentou como cientista sênior do Instituto Berkeley, onde trabalhava com as maiores cabeças pensantes dos EUA, inclusive alguns ganhadores de prêmio Nobel.

Não preciso nem dizer o quão interessante foi essa conversa, já que eu também gosto de ciência, e assim a conversa se alternava entre assuntos de ciência, astronomia e viagens de moto.

Deste modo a nossa passagem por San Francisco foi muito gratificante, foram 4 noites e 3 dias inteiros explorando a cidade de ponta a ponta com direito inclusive ao passeio de bondinho, um clássico de San Francisco que já funciona a mais de 100 anos exatamente do mesmo jeito.

Um dos dias eu aluguei uma bicicleta e fiquei com ela de um dia para outro e nesses dois dias pedalei 50 quilômetros, subi inclusive no Twin Peaks que são duas montanhas dentro da cidade de onde dá pra se ter uma visão de 360 graus da cidade.

Pedalei na Golden Gate, na orla da praia, nos parques e em alguns bairros residenciais muito bacanas enquanto isso a Iara e a Fran turistaram por outros pontos da cidade inclusive na Chinatown que é um bairro composto basicamente por imigrantes chineses.

Infelizmente não foi possível ver a Golden Gate de forma completa, já que ela passou o tempo todo coberta por uma densa neblina. Dizem que é um fenômeno comum devido às condições atmosféricas daquela região, é muito raro ver a ponte completamente limpa sem neblina, a minha outra filha, a Cintia, esteve lá alguns anos atrás e ela teve a sorte de pegar a ponte sem neblina e fez uma bela foto da ponte que tomo a liberdade de mostrar abaixo.

Ah, e pra completar, numa das noites teve até um tremor de terra, era umas 3 horas da madrugada e eu acordei com um estrondo que parecia uma sequência de trovejadas e o prédio do hotel começou a vibrar, por um momento pensei que estava sonhando, mas não, era um tremor de terra, um mendigo que dormia na rua em frente ao hotel gritou: — Earthquake, earthquake. Um silêncio pairava no ar, fiquei só esperando a sirene tocar, pensei comigo, era só o que faltava ainda terem que evacuar o prédio a essa hora da madrugada, mas no fim não aconteceu nada e continuei meu soninho.

No outro de manhã ainda não acreditando que pudesse ter sido um tremor, pesquisei na internet e realmente havia noticiários informando que houve um tremor de terra de 7,5 graus na escala de Richter a uma profundidade de 10 km naquela região.

 

Vigésimo Dia – Terça-feira -23/09

Estamos na reta final da nossa viagem; hoje iremos percorrer a Highway One, uma das mais belas estradas dos EUA, mas antes passaremos pelo Vale do Silício, onde visitaremos a sede da Google e a sede da Apple.

Uma decepção que tive foi quando descobri que o museu da história do computador não abre hoje, fui descobrir isto ontem à noite ao acessar o site para saber horários de funcionamento. Em todo o mundo via de regra os museus não abrem nas segundas-feiras, e aqui casualmente este museu não abre nas terças-feiras, é o único museu que abre nas segundas e não abre nas terças, que pena, era uma visita que eu e a Fran queríamos muito fazer.

Assim, começamos nossa viagem nos despedindo de San Francisco, depois de rodar cerca de uma hora lá estávamos nós em frente à sede da Google e estacionamos nosso motorhome num estacionamento que ficava a poucos metros do hall de entrada.

O centro de visitantes impresiona pela arquitetura da construção, realmente muito bonito, mas os demais prédios possuem uma arquitetura convencional nada muito extraordinário e ocupam vários quarteirões naquela região.

Mas com relação à visita até fiquei meio decepcionado, não tem nada de excepcional. Eles chamam aquilo de “Visitor Center Experience”, mas não tem nada de extraordinário, apenas uma loja com exposição dos diversos modelos de celular da marca Pixel e algumas lembrancinhas para vender alusivas ao Google.

Há também um espaço onde tem um café/bar com guloseimas para vender e cafés.

Aproveitamos o tempo ali e tomamos um café com um bolinho e alguns doces.

Depois de ficar por ali uns 45 minutos, seguimos com o Motorhome por mais alguns quarteirões até a sede da Apple.

Aqui também nada de extraordinário, apenas a loja da Apple e uma sala com uma grande maquete dos prédios onde eles disponibilizam um tablet que a gente aponta para a maquete e um sistema de realidade aumentada mostra na tela como é o prédio por dentro, uma espécie de passeio virtual.

No andar de cima da loja há um deck de onde é possível ver um pouco do prédio redondo, mas a grande quantidade de árvores que existem na volta impede uma visão melhor.

Depois de um tempo por ali, seguimos viagem novamente agora, com rumo à cidade de Santa Cruz que é o início da Highway One, depois passamos por Monterey e Carmel onde paramos e ficamos um pouco admirando aquela linda praia. A cidade de Carmel é muito linda com casas já um pouco antigas mas muito bem preservadas, é uma cidade frequentada pelos ricos e famosos de San Francisco.

Depois seguimos andando mais um pouco e entramos na Highway One fazendo algumas paradas ao longo do trecho para tirar fotos e admirar aquelas paisagens. Assim andamos até o camping Pfeiffer Big Sur State Park, um lugar em meio à natureza ao lado de um rio que leva o nome do parque.

Não havíamos feito reserva, mas havia lugar e conseguimos estacionar o motorhome ao lado de uma árvore centenária da mesma espécie das sequoias, porém uma outra variedade.

https://maps.app.goo.gl/fggvcEbPCLwtvJEw6

 

Vigésimo Primeiro Dia – Quarta-feira -24/09

 

A viagem está quase chegando ao fim, hoje é o penúltimo dia e ainda não sabemos ao certo até onde vamos dirigir, vai depender das disponibilidades e localização dos campings nesse trecho.

Tivemos que voltar novamente até Carmel para pegar a rodovia Highway 101, pois a Highway One encontra-se bloqueada em um ponto mais a baixo. Segundo a funcionária do camping, existe uma interrupção devido a uma queda de barreira e isto já faz uns três anos e eles não conseguiram arrumar ainda.

Eu imagino que deve ter sido um problema muito sério, provavelmente uma montanha que veio abaixo para eles ainda não terem conseguido recuperar.

Assim seguimos um longo trecho viajando pela 101 até Backersfield e daí rumamos novamente para a Highway One seguindo pela costa até uma simpática cidadezinha chamada Carpinteria. Antes disso havíamos feito uma parada em uma outra praia antes, chamada Santa Bárbara, havia vários estacionamentos bem grandes ao longo da orla, mas o regulamento proíbe permanência de Motorhomes para pernoite, somente durante o dia.

Mas em Carpinteria conseguimos um camping muito bom bem na beira da praia com toda a infraestrutura padrão americano e um preço muito bom, apenas US$60,00.

À noite caminhamos um pouco pelo centro da cidade que é muito linda, por sinal, com vários restaurantes, lojas de artesanato e obras de arte. Aliás, a cidade toda parece ser uma obra de arte.

Vigésimo Segundo Dia – Quinta-feira -25/09

 

Enfim, chegamos no último dia e na reta final, agora só restam mais 130 km até Los Angeles. Podemos fazer tudo bem tranquilos, pois podemos entregar o Motorhome até as 16:00, assim de manhã ainda fiz uma caminhada na beira da praia e a Francini ainda foi tomar um banho de mar gelado.

Após tomarmos nosso café da manhã e a Iara fazer um chimarrão sagrado dela de todos os dias, já começamos a organizar as malas para já deixar tudo pronto para a entrega do motorhome, tudo obviamente em slow motion, afinal, pra que ter pressa?

Por volta das 11:00 da manhã estávamos saindo em direção a Los Angeles e no caminho ainda vamos passar por Malibu e Santa Mônica. Pouco depois do meio-dia fizemos uma pausa num estacionamento do Walmart, compramos algumas comidas congeladas e usamos o micro-ondas do Motorhome para preparar um almoço rápido.

Depois seguimos rumo à Cruize América, destino final, mas antes ainda tive que encostar num posto para completar o reservatório de gás propano. Como eu recebi ele cheio, tenho que devolver ele cheio também. O tanque de combustível não é necessário encher, eu recebi ele com ¼ e devolverei no mesmo nível, isso aproximadamente, nada muito preciso.

Ao chegar na Cruize América, a entrega aconteceu de maneira bem tranquila, o recepcionista fez uma vistoria, anotou a kilometragem do odômetro fez uma conta rápida e me cobrou a diferença da milhagem, pois eu tinha mil milhas grátis dentro do pacote de locação e como eu rodei mais de 2 mil milhas tive que pagar uma diferença que era de U$0,20 cents por milha.

Mostrei a ele o estrago que houve devido ao pequeno acidente que tive quase no início da viagem, onde um outro motorista com uma camionete com reboque raspou a quina traseira do motorhome arrancando uma moldura de acabamento e danificando um pouco o canto. Ainda bem que eu havia feito um seguro complementar no início da viagem que cobria qualquer tipo de dano sem precisar pagar franquia, foi o que me salvou, senão talvez ainda tivesse alguma incomodação.

 

A entrega durou menos de 10 minutos e já estávamos chamando um Uber para nos levar ao aeroporto. Tive que chamar um Uber tamanho XL para poder acomodar todas as nossas malas.

Estamos muito felizes por ter realizado mais esta viagem e pela oportunidade que tivemos de conhecer mais uma parte deste lindíssimo país.

Esta viagem nos surpreendeu em vários aspectos, a beleza das paisagens, a organização dos parques nacionais, a estrutura impecável dos campings de motorhome e principalmente as pessoas, sim as pessoas, em todas as interações que tivemos com cidadãos norte americanos foram todas muito positivas, só encontramos pessoas muito simpáticas e receptivas e tivemos várias oportunidades de interagir e conversar com as pessoas de diversos estados americanos e saímos com uma impressão muito boa dos americanos.

Uma grata surpresa também foi conhecer o Sr. Sérgio Zimmermann, um PHD e cientista brasileiro radicado nos EUA já há 35 anos e que trabalhou numa das mais importantes universidades dos EUA, o Instituto Berkeley em San Francisco na Califórnia.

Viajar de Motorhome vale a pena?

Para finalizar o post agora irei fazer uma análise se valeu a pena fazer a viagem de motorhome ou se seria melhor ter alugado um carro e se hospedar em hotéis ou Airbnb.

Vamos aos dados, lembrando que estamos falando de uma viagem de 20 dias:

US$2.760,00 – Aluguel do Motorhome para 20 dias incluindo já um seguro adicional de US$420,00 para se livrar de qualquer dor de cabeça.

US$1.176,00 – Gasolina para percorrer os 4487 km que realizamos. Consumo medio de 4,87 km por litro. Ao todo 920 litros.

US$403,00 – Adicional por ter excedido em 1788 km.

US$40,00 – Gás metano (para a geladeira funcionar)

US$1518,00 –  Para 17 diárias de camping = preço médio por diária: US$89,00

US$678,00 – Para 5 diárias de hotel = preço médio por diária: US$135,00

Alimentação: Gastamos aproximadamente US$1000,00 em compras no Walmart para suprir nossa alimentação, isso deu uma média de US$40,00 por dia para nós três. Assim, pudemos manter um padrão alimentar similar ao que temos no Brasil.

Assim, o gasto total ficou em US$7.555,00, não estão incluídas aí as despesas com ingressos nos parques e outras atrações que aproveitamos.

Se fosse de carro:

Aluguel de carro: US$1.200,00 – Já considerando um bom SUV. Aluguel de carro é barato nos EUA.

Combustível: US$ 475,00 – aqui haveria uma economia, já que um carro gastaria menos combustível e normalmente é KM livre.

Hotéis: US$ 2.600,00

Alimentação: US$2800,00 – considerando ser relativamente econômico nas escolhas e eventualmente fazendo algumas compras em supermercado.

Total se a viagem fosse de carro: US$ 7.075,00

Vantagens do Motorhome:

  • Não precisa ficar desfazendo e fazendo malas toda hora, você organiza as coisas uma vez só e deu.
  • Você consegue manter uma rotina de alimentação mais regrada e saudável.
  • Geralmente é fácil conseguir um camping de última hora, não precisa ficar se preocupando com reservas muito antecipadas.
  • A qualquer momento você pode fazer uma parada na beira de estrada para ir ao banheiro ou fazer um lanche, tudo é mais prático.

Desvantagens do Motorhome:

  • É um veículo grande e desengonçado para dirigir, requer muito mais atenção e cuidado principalmente em trânsito urbano.
  • Gasta muito mais gasolina (nos EUA esses veículos são todos a gasolina), com seus motores V6 ou V8.
  • Tem que pagar um valor adicional quando passa as 1000 milhas que estão no pacote, geralmente US$ 0,39 por km.
  • Custo do aluguel é mais caro se comparado a um carro e o valor do seguro também é mais caro, principalmente se a pessoa quer ter a tranquilidade do seguro total que isenta a franquia em caso de qualquer sinistro.

Vantagens do carro:

  • Aluguel do carro é mais barato, praticamente metade do valor de um Motorhome.
  • Gasta muito menos gasolina.
  • Não precisa pagar pelos km adicionais, já que geralmente aluguel de carros conta com kilometragem ilimitada.
  • Mais fácil e ágil para o trânsito urbano e estacionamento, nas rodovias também rende mais porque dá pra andar mais rápido.
  • Oferece mais conforto para os passageiros.

Desvantagens do carro:

  • Precisa ficar em hotel ou Airbnb (como os governos estão taxando muito o Airbnb, está quase inviável essa modalidade em muitos lugares).
  • Você depende mais de restaurantes para alimentação.
  • Perde mais tempo com processos de check-in e check-out em hotéis, além de ter que desfazer e refazer malas com muita frequência, principalmente se for dessas viagens onde se fica só um ou dois dias em cada lugar.
  • Dependendo do lugar, pode haver dificuldade para encontrar hotéis e restaurantes.
  • O planejamento e previsibilidade devem ser feitos com mais cuidado principalmente com relação à reserva de hotéis, pois dependendo do caso se chegar em uma cidade e não encontrar hotel, pode ser que tenha que dormir no carro ou dirigir à noite até outra cidade a fim de encontrar uma acomodação.

Minha opinião:

Eu gostei muito da experiência de viajar em Motorhome porque assim a viagem ganhou mais cara de aventura e ganhamos também em flexibilidade para ajustar roteiros durante a viagem.

Quanto aos preços dos campings, em muitos lugares conseguimos campings a preços bons, na faixa de US$60,00, porém já em outros os valores dos campings ultrapassavam o valor dos hotéis, teve lugares que pagamos mais de 130 dólares por diária, ultrapassando o valor de hotéis na mesma região.

No geral, podemos dizer que deu quase empate técnico, com uma ligeira vantagem para o automóvel, mas podemos dizer que ambas as modalidades são muito boas para viajar fora do Brasil, vai muito do tipo de experiência que a pessoa deseja ter.

 

 

 

 

 

Um comentário em “EUA – Califórnia, Arizona, Utah e Nevada

  1. Belo relato Gilmar. Viajando junto aqui. Legal a experiência para nós brasileiros, do Motorhome, uma cultura não muto difundida por aqui. Bom saber da receptividade e organização do americano. O mundo traz coisas fantásticas. Turistar elas exige pesquisa e organização, coisas que já és mestre. Mais um belo investimento para a mente. Parabéns! Abraço!

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